sábado, 19 de outubro de 2024

ENTREVISTA - Franklin Roosevelt (Enchente S/A, Fuzzy)


Em visão geral, a criação de um coletivo de artistas tem como iniciativa a discussão de pautas comuns entre estes e a ocupação de espaços físicos e midiáticos, fazendo chegar ao público, de forma eficaz e assertiva, o produto criado pelos "coletivados". 


O formato é muitas vezes visto como "panelista" por abrigar bandas/artistas com afinidades nítidas. E foi buscando parcerias afins que Franklin Roosevelt, baixo/vocal da banda amazonense Fuzzy, criou em 2021 o coletivo Enchente S/A.

Na entrevista a seguir, a primeira do Beiral, o músico nem tenta explicar o formato. A ideia é defender o seu, explicar o Enchente S/A e aproveitar para ocupar o espaço com as novas de sua banda e parceiros.


A gente percebeu que estava fazendo os rolês juntos


Beiral: A  criação de coletivos costuma partir da observação de necessidades de uma classe/setor e da busca por soluções. Como se deu a criação do Enchente S/A?

Franklin Roosevelt: O Enchente S/A foi criado por mim em 2021. Nessa época eu já estava com meu projeto, a Fuzzy, e sempre desenvolvendo eventos underground para muitas bandas, mas também para que a Fuzzy tivesse onde tocar.

E duas bandas, Suffragium e Polybius, se aproximaram mais, querendo fazer parceria em eventos. Como o Guto (Augusto Nunes, baterista da Fuzzy) também tocava na ocasião com a Hooligans, e havia assumido as baquetas da Seaside, estas acabaram se integrando a turma. Isso sem contar com a Underflow, que é mais uma pra conta do Guto.

Bandas do coletivo no estúdio ADS 



Daí a gente percebeu que estava fazendo os rolês juntos e decidimos fortalecer isso, formando o Enchente S/A.  A partir daí, todas as nossas ações ficaram voltadas à fomentar e divulgar os eventos para que cada uma destas parceiras tocassem individualmente, e coletivamente.

Primeiras reuniões do Enchente S/A. Tempos pandêmicos



Beiral: E desse núcleo de cinco bandas, mais a Underflow que se reúne de forma remota, o coletivo tem hoje 14 nomes. O que essa turma tem feito?

Franklin Roosevelt: Sim começamos com estas cinco bandas. Depois de algum tempinho, fomos integrando outros parceiros e já realizamos eventos com todos do coletivo, como um ensaio aberto no estúdio ADS (grande parceiro) e um show no Basquiat.


Cartaz do ensaio aberto com as bandas do coletivo (Jan/2022)



Fizemos também parceria na produção de um show da Suffragium, que foi gravado e tal. Atualmente fazemos alguns eventos esporádicos, com algumas de "nossas" bandas em um evento, outras em outro. Mas a ideia principal é divulgar cada uma e o coletivo como um todo.


Coletivo e parceiros na produção de show da Polybius, no Tucandeira 



Beiral: Nessa busca por ocupar espaços, ter uma aproximação com a mídia é essencial. Mas percebo que há alguns casos que beiram a negligência. Desde que editava zines, depois na imprensa formal, e até em outro veículo independente que insisto em manter, encontro dificuldades de criar um bom conteúdo pois algumas bandas/artistas não tem o básico para se promoverem. O Enchente S/A tem alguma iniciativa para otimizar essa aproximação?

Franklin Roosevelt: Na verdade, eu mesmo estou fazendo um curso que vai na linha de elaboração de projetos, captação de recursos, organização financeira, e otimização de portfólio e redes sociais.
Falei para o pessoal que a gente podia dar um up nesse sentido. Inclusive surgiu a ideia de se gravar clipes, profissionalizar fotos, fazer melhor engajamento das redes. Mas ainda há resistência de alguns e às vezes outros interesses que emperram demais isso tudo.

E isso não é algo só nisso. Na mesma vibe estão outros estados e bandas autorais. Falta de querer se engajar. O público que não é conquistado, não valoriza, não consome.

No Baile dos Perdidos (no Basquiat)



Beiral: Falando em outros estados, outros públicos, o Enchente S/A tem intercâmbios nos planos?

Franklin Roosevelt: Particularmente tenho alguns contatos e interesse em fazer intercâmbios. Como é o caso de Boa Vista (RR), e também Itacoatiara (AM). Inclusive lá estão voltando com o grande evento ItaRock que movimenta bem a cidade. Apesar de nunca ter ido, quero muito fazer essa ponte. Eu tinha feito alguns contatos com Santarém e Belém (PA). De repente posso tentar desenrolar isso. 

Alguma coisa vou tentar com o Enchente S/A. Já fazemos de alguma forma um intercâmbio com Boa Vista, mas tenho muito mais pretensões com a Fuzzy. Ela é meu interesse maior. Talvez mais uma ou outra do coletivo que estiverem mais engajadas.

Beiral: Já organizado e visto como uma força no ecossistema da música alternativa amazonense, o que o coletivo pretende agora?

Franklin Roosevelt: Tem um projeto, que leva o nome do coletivo, que foi submetido aí pra ver se somos contemplados. Fora isso vamos tentar encaminhar outro para realizar um show de grande porte em 2025. É apostar na sorte e na curadoria para tal.

Para a Fuzzy, o plano é finalizar o EP que já está em produção. E tentar uma mini turnê, que está sendo minuciosamente estudada.


Franklin Roosevelt, Guto Nunes e Gustavo Kawati. A Fuzzy 



Beiral: Falamos lá no início sobre afinidades e sabemos que isso dá a liga necessária para o bom funcionamento de um coletivo. Há possibilidade de o Enchente S/A abrir para outros estilos? O que se espera de quem possa vir a procurar o coletivo?

Franklin Roosevelt: O ponto principal é ser rock, ser autoral. Não tenho objeção quanto a gêneros, mas historicamente já tem alguns nichos que eles mesmos se "arrumam", se "organizam", e vão sobrevivendo. Acho que as bandas que estão no coletivo já têm um certo trabalho. Até pensaria na ideia de abranger outros estilos, mas acho que não teria tempo, talvez nem saco.

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Para contatar o coletivo Enchente S/A procure o Franklin em 92 98130 6080 (Whatsapp), no Instagram @enchentesa ou pelo e-mail coletivoenchente@gmail.com





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