quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Contos e Crônicas Antonellianas - Steffanny (parte 2)

 


Mas nem tudo era ruim na família de Steffanny. Havia um tio seu que era bem legal com ela. Como trabalhava na reforma de estofados e colchonetes, era ele quem dava os colchões velhos a ela para fazer os moldes de seus próprios enchimentos que serviam aos quadris, peitos, coxas e também a bunda. Steffanny preparava ela mesma os enchimentos. Tinha talento pra aquilo. Com isso, ficava mais afrontosa. Sedutora. Peitava quem quer que fosse peitar. Quando provocada, partia pra cima mesmo. Tinha seus desafetos. Quem não tem? Desaforada que era, Steffanny. “Sou amiga de todas, só não cague no maiô, mona, ou venha me chochar.” Ela dizia. Chequeira. Steffanny era chequeira. Checava na maior, se o cliente pedisse, dá licença! Descia dos saltos mesmo. Cheque gordo, sem fundão. Não importava o ocó. “Não tô nem vendo, mona. Bancou a Neide, checo mesmo.” Affeee. Trezentinho todo dia era sua meta, tá meu bem! Passada, olha. Lembro dos dentes entremeados de Steffanny, o que não embaçava sua beleza de jeito nenhum. Ela tinha um rosto fino, muito bonito, o nariz afiladinho porque passava cola mil na sua ponta pra ele parecer empinadinho tornando a voz até meio fanhosa quando falava, daí, depois da jornada, ela retirava a cola com água morna e tudo voltava ao normal. Steffanny era cheia da trucagem. Glamour-Glamour. Voltava de suas noitadas no primeiro executivo. Não pegava ônibus velho não. Pelo menos nunca a vi pegar outro ônibus que não fosse o Executivo. Desses bem geladinho. Viajava sentadinha atrás. Relaxada. Oclão na cara. Pernas cruzadas. Razô-razô. A porra foi ela ter aplicado nos seios a merda daquele silicone industrial para fuselagem de avião. Quase a ferra de vez. A droga se espalhou pelo corpo todo. Subiu e desceu. Os músculos da face dela se petrificaram. Depois craquelou pra baixo inchando suas pernas e estourando suas veias. Perdeu o close. Mas não a pose. Embora tenha ficado um tempo sem andar. Sem mexer a boca direito. Misericórdia! Só Jesus na causa, minha senhora, só Jesus na causa. Passada com Steffanny, olha! Mas não é que a veada sobreviveu? Logo estava de volta nas pistas. Trabalhada nos saltos e belíssima com um colar de pérolas falsas comprada em um brechó maneiro na Feira do Produtor. Razô-Razô. Mancava um pouco, é bem verdade. Mas até para mancar, é preciso ter classe. E Steffanny tinha classe. A vida que se manque pra lá. Steffanny tinha glamour. E planos também. Planos grandes, tu jura, mana? Juro. Ela não pertencia mais a cidade. Pertencia não. Tudo ficou pequeno pra ela. Gorduroso. Uó! Certa noite, na antiga Boate A2, reencontrou uma velha amiga sua de nome Brendha que chegara de São Paulo, mas que morava em Amsterdã. Ela meteu corda: “Se liga, mulher, as bixa tão indo às pencas pra Europa. Amsterdã é o bicho. Lá tu se cria. O babado é forte. Aqui já deu, não deu? A senhora quer morrer aqui, feito bixa burra? Se manque, veada!”

*por Márcia Antonelli, transcritora 

Noite das bruxas da Platinados tem Doces, Drives, Drinks & Travessuras

A já icônica banda do rock cabocão amazonense Platinados promove nesta sexta-feira (01/11) mais uma edição da festa "Doces, Drives, Drinks e Travessuras". A celebração trevosa acontece n'O Condado Pub e tem no cast musical, além da Platinados (e convidados), Duobuchada, Chora Cachorro e Infâmia.


Completam o line up da noite das bruxas atrações diversas que incluem leitura de tarot, flash tattoo, maquiagem temática e chair dance. O tema invade a casa que recebe em seus ambientes ilustrações macabras no estilo pulp, concurso de fantasias e atores incorporando personagens do Halloween e da cultura do terror.

A noite também terá drinks temáticos cada um com um toque de mistério e magia, e as bebidas tradicionais do pub.



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A volta dos muito vivos


O "Doces, Drives, Drinks e Travessuras" é mais uma ação da Platinados, banda que sempre colou com públicos diversos, indo além do rock e dos palcos. A festa de sexta-feira é, inclusive, uma adaptação de outra iniciativa platinada, conta Clóvis Rodrigues, vocalista da banda.

"A festa volta ao Condado, que recebeu a primeira edição em 2021. O nome pegamos emprestado de um evento que promovemos em 2018, o 'Psicodelia, Graves, Drives e Drinks', que teve outras uas bandas, O Tronxo e Macama, além da Platinados ", explica.

"Agora o evento está de volta com uma programação diferenciada, com intervenções durante todo o evento e na parte musical o acústico do Duobuchada resgatando hits gringos e brasileiros, o rock brega da Chora Cachorro e o peso da Infâmia" comentou Clóvis.

Já o set da Platinados vai contar com sons conhecidos (e nada manjadões) e a participação de músicos afins com a banda reverberando a atmosfera boemia do rock cabocão.

"Nosso set passa por várias fases da Platinados e nessa viagem contamos com Carlos 'Lare' Castilho, da DPeids, Magaiver Santos, do Casa de Caba, e May Satier, com quem divido vocais n'A Sombra de Monalisa, tocando o terror", finaliza o músico.


Intervenções da noite 


Encontros Místicos: Leituras de tarot realizadas por Thai Oliveira.

Lembranças Macabras: Flash tattoos feitas por NatannaHell.

Exposição Assombrosa: Exposição de ilustrações no estilo pulp de Anderson Green Devil, da Green Devil Artwork.


Pulp art da Green Devil Artwork


Concurso Infernal de Fantasia: Concurso de fantasias, onde as melhores criações serão premiadas com brindes infernais.

Performance Ardente: Paula Aguiar apresenta uma performance que trará todo o encanto e sedução do Chair Dance em uma apresentação hipnotizante de movimentos sensuais com um toque macabro.


Paula Aguiar apavorando no Chair Dance


Transformação Sobrenatural: A maquiadora Evelyn Tenazor estará presente para te ajudar com maquiagens realistas e assustadoras.


A maquiadora Evelyn Tenazor está no cast do evento 


Terror Imersivo: Mergulhe em um ambiente de terror com experiências imersivas. Atores vestidos como monstros vão transformar o ambiente em um verdadeiro espetáculo de horror.


SERVIÇO 

O que: Doces, Drives, Drinks e Travessuras (com Platinados e convidados, mais Duobuchada, Chora Cachorro e Infâmia. Intervenções com tema de Halloween durante todo o evento)

Quando: Sexta-feira (01/11), a partir das 19h

Onde: O Condado Pub (av. Des. João Machado, 6705 - Alvorada)

Quanto: R$ 25 (ingresso simples) e R$ 40 (combo dois ingressos). Vendas pelo Sympla.

*por Artur Mamede 

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quarta-feira, 30 de outubro de 2024

CONTO DA SEMANA: À espera


Após o desaparecimento do filho nunca mais foi a mesma. Ficou distante. Havia perdido recentemente seu marido. Companheiro de 40 anos de vida. Já era uma senhora. Caminhava para os 70 anos. A solidão e a saudade pesaram nos ombros já cansados de uma vida de tantos sacrifícios. Não precisava mais passar por aquilo não. Já estava no fim de sua jornada. Queria apenas esquecer de tudo. Era o que sempre repetia. Alguns dizem que de uma forma ou outra, acabou conseguindo. Benção ou castigo? Ninguém sabe. 

Era um sábado, manhã de janeiro. Primeira semana do ano. Acordava cedo. Mania de idoso. Ligava o rádio, preparava o café, aguava suas plantas e voltava para a mesa. Às 06:30 seu filho acordava. Trabalhava num comércio no centro, próximo ao Mercado Municipal. Era seu único companheiro após a morte do seu marido. Momento difícil pra ela. Mas tinha o seu filho, que lhe ajudou a passar esse momento. Era um bom homem, 30 anos, trabalhador. Nuca lhe deu trabalho, pelo contrário. Era esforçado, sempre tentou ser alguém. Ajudava na casa e nas despesas. Assumiu o papel de provedor depois da morte do pai. Atento as demandas, cuidava dela e do que fosse necessário pra dar-lhe o mínimo de conforto. Era o mínimo, falava sempre a ela.

Só era meio calado. Ah, isso ele era. Estava sempre pensativo e calado pela casa lendo coisas que trazia da rua ou com os fones de ouvido. Gostava de música. As vezes até escrevia canções. Pela manhã ouviam juntos as músicas que tocavam no rádio durante o café. Gosto dessa música, ele comentava vez ou outra. Sorriam. Falavam sobre coisas do dia a dia e sobre os compromissos da semana. Ele andava bebendo muito a uns meses, fato que a preocupava. Mas de um tempo pra cá não estava mais muito a fim, foi o que disse a ela. Estava limpo. E ela feliz com sua decisão. 

Ela percebia que ele estava triste a algumas semanas. Mas sempre quando o perguntava sobre o que lhe preocupava ele respondia que estava tudo bem, era apenas o cansaço do dia a dia. Ela o respeitava e fingia acreditar, mas no fundo sabia que algo não estava certo. Mães sempre sabem. 

Nesse dia, se despediu e saiu rumo ao centro da cidade pra ganhar a vida. Sábado saía do trabalho mais cedo. Largava o serviço as 13h. Almoço em casa hoje, ele disse. Se despediu dando um beijo na testa da mãe. Vai com Deus meu filho. Até depois. Até, respondeu sorrindo. Naquela tarde uma chuva violenta castigou a cidade. Fortes ventos e muita água desabou sobre todos. Caos no trânsito, viu pela Tv. Bem na hora que meu filho sai do trabalho, poxa. Lamentou. As horas passaram e a chuva também. Aguardou ansiosa a chegada do filho após o tempo se abrir novamente. Deve ter ido fazer alguma coisa, pensou.

As horas seguiram e nada, resolveu mandar uma mensagem, não foi respondida. Foi ficando preocupada. A noite chegou e nenhuma notícia. Já estava desesperada. Chamou as irmãs que moravam na mesma rua, em casas vizinhas. Todos tensos tentando contato. Sem sucesso. Desespero total. Os primos tentaram acalmar as tias que a essa altura já estavam em estado extremo de angústia. Informaram a polícia. Registro feito. Procuram nos hospitais da cidade e em todos os possíveis locais que frequentava. Nada. Não havia mais ninguém a quem recorrer. Ninguém para ligar. Ele não tinha muitos amigos. Andava sempre sozinho. 24h depois foi declarado oficialmente desaparecido pela polícia. 

Os dias passaram e nenhuma resposta ou notícia. Ninguém o havia visto ou falado com ele. A última pessoa que o viu foi o chefe quando saiu da loja. Depois de uma semana sem dormir, a esperança do filho reaparecer foi se dissolvendo dentro do coração materno. E junto com ela, a sua vida. Havia perdido o marido e agora o filho. Não tinha mais ninguém. As irmãs a faziam companhia, até a levaram para morar junto delas para que não ficasse sozinha nesse momento. Não adiantaram os esforços. Com o passar dos dias ela foi definhando diante dos olhos de todos. 

Cada dia falava menos. Interagia menos. Não importavam as tentativas. Não havia retorno. Decidiram que não se tocaria mais no assunto na casa. Todos de acordo. Aos poucos foi emagrecendo. Não comia direito. Dizia não sentir fome. Passava a maior parte do dia calada sentada numa cadeira de balanço que havia na varanda olhando para o fim da rua. Estava a esperar a chegada do filho. Falava isso como quem pensa alto. Quando chovia ela saia pela rua andando a sua procura. Ele está vindo. Estou indo encontrá-lo, dizia para as irmãs que a traziam de volta para casa encharcada. Todos da rua já ficavam atentos aos episódios, que acabaram por se tornar corriqueiros. Sentiam pena. Era uma pessoa querida na rua. Sentiam-se mal em vê-la assim.

Com o passar do tempo começou a esquecer os nomes e a dizer coisas sem sentido. Àquela altura já havia perdido a consciência. Não sabia mais seu próprio nome ou de suas irmãs. Tinha pequenos surtos e começava a repetir por diversas vezes a frase “daqui a pouco ele vai chegar, daqui a pouco ele vai chegar” olhando e apontando pro relógio da parede. Numa dessas andanças pela chuva, fugida de suas irmãs e longe dos olhos dos vizinhos, acabou adquirido pneumonia. Seu corpo já debilitado não teve condições de reagir. 

Em seu leito de morte perguntou a sua irmã pela última vez as horas e pediu para que ela avisasse ao seu filho, quando chegasse, que a sua janta estava sobre o fogão.  Faleceu. Sem respostas e sem saber mais quem era. Em seu enterro uma leve chuva caiu sobre os que homenageavam a sua partida. “É ele vindo se despedir”, disse uma das irmãs olhando para o céu enquanto o coveiro jogava sobre o caixão uma pesada pá de barro molhado.


*Francisco Chagas é professor da rede pública, escritor e músico na banda Poesia Maldita 


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Cine Set promove nova oficina gratuita de crítica de cinema


O Cine Set! realiza na próxima sexta-feira (01/11) e sábado (02) uma nova edição gratuita da Oficina de Teoria e Prática da Crítica de Cinema. As inscrições já estão abertas para os encontros que acontecerão no Conselho de Desenvolvimento Comunitário do Coroado (CDCC), zona Leste de Manaus.


A oficina tem curta duração (seis horas no total, divididas igualmente entre os dois dias) onde Ivanildo Pereira, o facilitador da atividade, irá passar aos inscritos os conceitos principais da crítica de cinema, dando a estes, ainda, a possibilidade exercitar a escrita em uma atividade prática.

Leia tambémMárcia Antonelli autografa "Rasgada ao Meio" no Sereia Mística



A Oficina de Teoria e Prática da Crítica de Cinema é uma contrapartida do projeto "Cine Set - 10 Anos", projeto contemplado no edital Concurso Prêmio Manaus Identidade Cultural no setor do Audiovisual, realizado pelo Conselho Municipal de Cultura de Manaus (Concultura), com recursos da Lei Paulo Gustavo.  


Amazonense na Abraccine 


Ivanildo Pereira, o facilitador da oficina é crítico do Cine Set e integrante da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine). Pereira também assina uma "coluna" com dicas de filmes na Rede Onda Digital.


Ivanildo Pereira, será o facilitador da oficina 


SERVIÇO


O que: Oficina de Teoria e Prática da Crítica de Cinema

Onde: Conselho de Desenvolvimento Comunitário do Coroado - CDCC (Rua Ouro Preto, 513 - Coroado)

Quando: Sexta-feira (01/11, das 18h às 21h) e sábado (02/11, das 14h às 17h)

Quanto: Acesso e inscrições gratuitos no www.cineset.com.br

*por Artur Mamede com informações do Cine Set

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terça-feira, 29 de outubro de 2024

Márcia Antonelli autografa "Rasgada ao Meio" no Sereia Mística

 


"Rasgada ao Meio", livro da transcritora amazonense Márcia Antonelli, ganha nesta sexta-feira (01/11) uma noite de autógrafos para celebrar o recém lançamento da obra. O evento acontece no Espaço Cultural Sereia Mística e conta ainda com o pocket show "Desconcerto" de Amaru Natividade.


Ainda com o cheiro da gráfica, "Rasgada ao Meio" já tem propostas de tradução para ser estudada nos departamentos de Línguas Estrangeiras do curso de Letras em universidades da Itália e Espanha.

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Leia tambémA Sombra de Monalisa relê "Belle Époque Noise"


A transcritora Márcia Antonelli e "Rasgada ao Meio" (foto: Facebook/M. Antonelli)

O que esperar de Rasgada ao Meio


De acordo com Márcia Antonelli,  "Rasgada ao Meio" é uma coletânea de contos, subdivididos em subgêneros. "O livro inicia com o subgênero memória, seguido por crime, erótico, fantástico, crônica e desilusões do amor, impressos em minicontos, microcontos e nanocontos", conta a autora.

"'Rasgada ao Meio' passeia por vários segmentos e meandros da literatura. O que se pode esperar é um deleite que cada uma dessas histórias, muitas delas ambientadas na Cidade de Manaus, oferecerá ao leitor", disse Márcia.


Quem é Márcia Antonelli?


Parida em Manaus, Márcia Antonelli é transcritora com sete livros publicados e a impressionante marca de mais de 70 livretos publicados e lançados  de forma independente. 

Duas de suas obras ("O Fungo" e "Desentupidor de Fossas") foram traduzidos para o espanhol e circulam em periódicos na Europa. 

Márcia também tem obras suas adaptadas para outras expressões e linguagens. "Zico, o Jabuti" e "Desentupidor de Fossas" ganharam adaptações para o cinema e o teatro, respectivamente. O "Rasgada ao Meio", seu mais recente livro, já está sendo estudado nas universidades da Itália e Espanha (curso de Letras, Linguas Estrangeiras).


SERVIÇO 

O que: Noite de autógrafos do livro "Rasgada ao Meio", da transcritora Márcia Antonelli. Pocket show "Desconcerto" com Amaru Natividade

Quando: Sexta-feira (01/11), a partir das 19h

Onde: Espaço Cultural Sereia Mística (Rua Luiz Antony, 397. Aparecida)

Quanto: Acesso gratuito. O livro "Rasgada ao Meio" estará a venda no local

*por Artur Mamede 

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quinta-feira, 24 de outubro de 2024

A Sombra de Monalisa relê "Belle Époque Noise"


Lançada originalmente em 2003 no EP de mesmo nome, "Belle Époque Noise", da Platinados, ganhou nesta quinta-feira (24) uma releitura da banda A Sombra de Monalisa. A faixa que há mais de 20 anos já anunciava uma renovação no rock básico da Platinados tem agora uma roupa nova, quase cyberpunk.


Da Platinados a nova "Belle Époque Noise" manteve a métrica concretista e o autor da mesma. Clóvis Rodrigues, o fundador, letrista e vocalista da banda relida é, junto a May Satier e Queison Alves, uma das vozes de A Sombra de Monalisa, banda manauara formada em 2020 pelo produtor musical e compositor Rafael Rebelo.

May Satier tem em "Belle Époque Noise" seu primeiro registro oficial como vocalista da banda e é um grande trunfo, dando um novo gás à uma faixa que já está impressa na memória dos seguidores da Platinados.


As vozes d'A Sombra de Monalisa 



Além da trinca de vozes e da guitarra e produção de Rebelo, a faixa cresce e se enriquece com os pianos e sintetizadores de Breno diAndrade, o baixo de Luiz Roberto Góes e a bateria de Anastácio Junior. Participaram ainda nas sessões de guitarras Amauri Frazão (Underflow), Jean Carlos (ex-Zona Tribal) e Leonardo Lima (Pacato Plutão).

Aqui está "Belle Époque Noise". Acesse, escolha sua plataforma preferida e ouça ALTO!


Capa do single digital "Belle Époque Noise", por Rafael Queiroz

Produzida e coproduzida respectivamente por Rafael Rebelo e Bruno Prestes (que também assina a mixagem), "Belle Époque Noise" foi masterizada por Felix Davis no Metropolis Studios (Inglaterra). A capa do single tem assinatura de Rafael Queiroz (de SP).

Próximas aparições d'A Sombra de Monalisa 



No dia 25 de outubro, A Sombra de Monalisa dá à luz o single de "Eu Sinto Muito", outra composição de Clóvis Rodrigues. A faixa, que tem a mesma trupe de "Belle Époque Noise", foi masterizada por Chris Athens (EUA). A capa, e todas as atuais artes da banda, é assinada novamente por Rafael Queiroz.

A Sombra de Monalisa está em fase de pós-produção de seu primeiro curta-metragem musical, “Eu sinto muito”, que aborda uma perspectiva diferente de Manaus, mostrando a cidade num contexto cyberpunk e explora temas de seitas secretas e tecnologia. O lançamento está previsto para o primeiro semestre de 2025.


A banda também prevê para 2025 o  lançamento do primeiro álbum de estúdio. Composto no formato conceitual, o álbum, que está em fase final de produção, mergulha na psiquê humana e seus conflitos, sendo narrado pela perspectiva de quatro personagens (O Malandro, Ele, Ela e a Sombra) em um enredo influenciado pela obra do psicólogo Carl Gustav Jung. 

A Sombra de Monalisa 

Fundada em 2020 por Rafael Rebelo, A Sombra de Monalisa tem em sua identidade a exploração de temas sobre a complexidade e a diversidade humana em suas letras e o instrumental com abordagem experimental, com a proposta de mesclar e fundir estilos e gêneros musicais diferentes. A banda teve recentemente a adesão do guitarrista Luis Marinho, que não participou das gravações mas segue como integrante ativo.

Inovadora, A Sombra de Monalisa lançou em 2021, o registro de sua primeira apresentação ao vivo no formato de Ópera Rock, gravada ao vivo no Estúdio Supersônico (confira AQUI).

"A Sombra de Monalisa - Uma Ópera Rock" teve o projeto contemplado pelo Prêmio Manaus de Conexões Culturais - Lei Aldir Blanc.

Para saber mais sobre A Sombra de Monalisa acesse o perfil @a.sombra.de.monalisa no Instagram.

*por Artur Mamede 

Fotos: Ariadne Aleixo






Manaus 355 anos, o caminhar de uma cidade no ontem e no hoje


Manaus, como qualquer outra cidade, é uma cidade em pedaços, fragmentada no espaço pelo tempo. A cidade que possuímos hoje é fruto da ação dos sujeitos que, no passado, fizeram dela um espaço de vida. Enquanto obra e produto, Manaus é resultado tanto do nosso passado quanto do nosso presente. Ao caminharmos pela Manaus de hoje, percebemos a presença do ontem. Mas esse ontem não é apenas a Manaus dos seus tempos históricos; é também a Manaus que continuamos a produzir dia após dia.

Na Manaus de hoje, assim como na de ontem, muitos são os problemas e poucas as soluções que vivemos. Estamos rodeados de incertezas — e até essas incertezas são incertas. Entre aventureiros e múmias, seus governantes e administradores jogam com a sorte para decidir quem irá banhar-se dos privilégios dos cargos públicos. Estamos à mercê da cidade que esses usurpadores estão a produzir. Sem muitas alternativas políticas para os subalternos e sujeitados, a tragédia — a cidade em chamas — dita os passos que seguiremos no amanhã.

Produzimos uma cidade indiferente ao caos da saúde pública, conformada com a máquina da morte construída pela corrupção do Estado amazonense. Aceitamos uma cidade amedrontada pelo assalto das facções criminosas, que fazem desse espaço um campo de disputas — muitas vezes em conluio com as próprias autoridades. Iludimo-nos com uma educação chamada política, mas que pouco educa, pois está refém dos crimes cometidos tanto pelo Estado quanto por aqueles que dela não fazem caso. Caminhamos por uma cidade deformada, sem políticas públicas eficazes para a melhoria do saneamento básico e das suas estruturas urbanas, as quais deveriam assegurar o direito de viver dignamente na cidade. Somos a cidade das cinzas, que agoniza em suas contradições, assim como a floresta em suas queimadas.

No ontem e no hoje, Manaus se reproduz sob as mesmas problemáticas. Mascarar tais problemas com as bondades que a cidade oferece chega a ser desonesto, pois vivemos cotidianamente sob as mazelas que nós mesmos estamos a produzir e reproduzir. Somos reféns dos nossos fantasmas, assim como dos fantasmas dos outros.

Caminho pela cidade aos passos da minha própria história. A cidade, mais do que uma expressão concreta, é o conflito das existências cotidianas. Manaus, como qualquer outra cidade, um lugar de muitos, é rica em suas contradições — e não poderia ser diferente: cada rua, cada esquina, carrega consigo o peso e a leveza das nossas experiências e vivências. O urbano é onde somos e buscamos ser, nosso melhor e nosso pior.

A cidade é uma obra coletiva, produzida pelo tempo, pelas mãos e pelos sonhos daqueles que nela vivem. Seus espaços são produtos de tempos sobrepostos, vestígios dos processos que moldam, cotidianamente, o modo de viver. Por isso, a cidade é mais que um palco da sociedade; é a concretização de escolhas e ausências, de avanços e retrocessos. Ela reflete tanto o passado que nos construiu quanto o futuro que insistimos em adiar.

Manaus é esse espaço de encontros e desencontros. Aqui, a modernidade se impõe sobre a floresta, e o capital avança sobre memórias, apagando retratos do que fomos. Ainda assim, em cada praça mal cuidada e em cada viaduto lotado guardam-se fragmentos de um viver coletivo, onde a cidade é simultaneamente sonho e realidade, promessa e frustração. Caminhar por suas ruas é buscar sentido, mesmo que esse sentido seja sempre um empréstimo do passado e, assim como o nosso futuro, esteja condenado ao esquecimento no tempo e nas práticas que produzem a cidade em fragmentos.

Aos 355 anos de Manaus, resta-nos apenas parabenizar e seguir incertos sobre as incertezas dos caminhos que estamos a trilhar.


*Fernando Monteiro é geógrafo e músico na banda Burying Existence

Foto: Antonio Raulino 

Contos e Crônicas Antonellianas - Steffanny (parte 1)


A senhora se ligue. Vou lhe contar sobre Steffanny. Steffanny de Mônaco. Era como gostava de ser chamada: Steffanny de Mônaco. Seu nome de guerra. Só que com mais glamour. Muito mais elegante que a de Mônaco. Elegante mesmo. Sabia se colocar nas pistas. 1.70 de altura. Trabalhada nos saltos e com um lipstick terroso ou rosa choque nos lábios, tudo muito discreto e elegante igual as roupas e calçados que usava combinando, ficava um escândalo. Glamour-Glamour. Destacava-se entre as outras travestis onde quer que chegasse ou estivesse. Seus olhos eram castanhos claros, cabelos longos, naturais, sempre fina e elegante em seu tailleur de tons pastéis, salmão, ou então bege mesmo, da cor da pele. Não abria mão nunca de sua bolsinha à tiracolo pesadinha, cheinha de pedras, estilete ou então um canivete. Suas armas de guerra. Mas, uma lady. Estou lhe dizendo. Até quando se colocava na pista pelas esquinas das ruas, altiva à cata de clientes, era como uma flor mais bela esperando as abelhas pousarem, também as borboletas, as mariposas, os inúmeros insetos da noite que, atraídos por ela, vinham beber de seu néctar. Ela sabia de seu magnetismo. Sabia sim. Uma lady, minha senhora, uma lady. Até o jeito de falar, a postura ereta, o andar. Eu olhava para Steffanny e via uma aeromoça, uma secretária executiva, uma senhora dona de empresa, algo do tipo, mas nunca, nunca, uma travesti qualquer. Razô-Razô. Um vez ela disse: “Sou Steffanny só a noite, durante o dia, sou Diego, mas não gosto de quem eu sou pela manhã.” É que Steffanny tinha uma vida chata pela manhã. Chata mesmo. Cuidava do pai cadeirante que condenava seu travestismo. A mãe fazia vista grossa. Pior mesmo era quando o irmão mais velho morava com eles. Chamava-se Antônio e ele batia muito em Steffanny. A espancava que era pra ela parar de desmunhecar tanto e andar sem rebolar pela casa: “Viadinho aqui não se cria não, porra!” Dizia ele. Tinha pavor desse irmão quando ele chegava bêbado em casa e descarregava sua raiva nela. Ela apanhava em casa e na rua também. Tinha que aprender a ser um machinho. Afinal, tinha um pinto entre as pernas e não uma racha, caralho. Apanhou desse irmão até os quinze. Depois, para o seu alívio, Antônio deixou a casa e não deu mais as caras. Caiu no mundo e no álcool. Mas ficaram as marcas. Sempre ficam as marcas: o acúmulo dos murros na boca, no queixo, os tapões, pescoções, safanões. E a imagem do anel de metal que ele usava no dedo médio com o desenho de uma cruz de braços iguais, dobrados em ângulo reto, parecendo uma roda ou um quatro em egípcio. A insígnia da suástica. Mas como ela ia adivinhar? E aquilo machucava muito a cada soco. Fazia estragos, minha senhora, fazia estragos. Os olhos dele que eram claros e lindos como os dela, mas perversos quando ele a encarava enquanto a espancava, ela também não esqueceria nunca mais. Como é que esquece, não é? A vida dá voltas. Pegue a visão, minha senhora, a vida dá voltas. É o que chamamos de, “o retorno do anzol.” Mas isso é bem lá pra frente. Se ligue.

*por Márcia Antonelli, transcritora




quarta-feira, 23 de outubro de 2024

CONTO DA SEMANA: Obsessor



“...e os espíritos imundos saíram do homem e entraram nos porcos. A manada de cerca de dois mil porcos atirou-se precipício abaixo, em direção ao mar, e nele se afogou.”
Marcos 5:13



Num final de tarde, ao chegar do trabalho, foi surpreendida por sua tia, que morava em casa vizinha a sua, que lhe perguntou como estava sua filha. Disse que estava bem no geral, mas que ultimamente havia passado por uns momentos ruins, a criança tinha 13 anos na época e sua adolescência estava sendo difícil, algumas coisas não estavam em ordem, estava muito introspectiva, meio chorosa. 

Não sabia explicar bem o que sentia. Mas que estava atenta, tomando as providências necessárias pra organizar os sentimentos da menina. Por que a pergunta, tia? Falou curiosa, uma vez que não havia compartilhado com ninguém a situação até aquele momento, para preservar a filha. 

A tia a olhou friamente com um olhar de preocupação e falou que havia percebido algo estranho com a menina ao passar por ela no dia anterior. Comportamento? Perguntou a mãe preocupada. Não necessariamente, respondeu com uma certa tensão. 

É que a tia era médium, e desde de criança via coisas do mundo espiritual. Tornara-se espirita pela necessidade de lidar com tal fato, que segundo seu próprio relato, é um tanto assustador no início, e que isso é motivos de muitos conflitos e problemas ao longo da vida daqueles que não aceitam a missão. 

Eu sei leitor, muitos não acreditam nessas coisas, mas afirmo-lhes que a história é verdadeira. A verdade é que o mundo que vemos não é o mundo real, é apenas um fragmento mínimo alcançando pelo nosso cérebro medíocre diante de nossas limitações. E sempre que nos confrontamos com nossa insignificância é chato e desanimador mesmo, eu entendo você. 

No fundo, nas entranhas de nossa vaidade, queremos ser algo relevante. Sermos tudo que existe de melhor. Mas aceite, somos apenas seres sem propósito vagando nesse mundo sem sentido algum. É duro, é triste, mas é o que temos. Não há como ignorar. Mas sigamos... 

A tia continuou a explicar: É que percebi espíritos rodeando ela. E não são espíritos do bem minha filha. Eles tinham unhas grandes e pretas e no dia que os percebi ela também usava unhas da mesma cor. O que estava mais próximo a ela era uma mulher, uma senhora já. Ela tem se machucado ultimamente? Perguntou. 

A mãe respondeu que sim com uma expressão de susto. Disse que a pouco mais de uma semana havia ocorrido um episódio de autoflagelo, tentativa de cortes no pulso com uma gillette.

Eu sabia, são espíritos suicidas minha filha, eles estão a circulando e a incentivando a fazer essas coisas. Precisamos tomar providências, porque não é apenas um, são vários, disse com certa preocupação. E o que são eles afinal? Perguntou a mãe com um certo temor.

São seres desencarnados, espíritos obsessores, são almas desencarnadas que foram dominadas por sentimentos como o ódio, a tristeza, e infelicidade e hoje vagam no mundo em busca de contato com pessoas mais sensíveis ou que estão fragilizadas de forma espiritual. Pessoas mais sensitivas são o alvo número um deste tipo de ataque espiritual, pois são espíritos que querem ser notados, por isso perturbam ou seguem essas pessoas quando vêem algum tipo de abertura.

Organizaram uma sessão onde todos da família participaram, a leitura do livro dos espíritos foi feita e nesse momento a menina sentiu como se algo tivesse limpado seu corpo, como se estivesse suja de algo e a partir daquele momento estivesse limpa novamente, sentiu um frescor de alívio em sua pele ao ser tocada pelo vento que circulava no ambiente, seus ombros relaxaram como se um peso tivesse sido tirado deles e o semblante tenso foi aos poucos se desfazendo em seu rosto. 

De mãos dadas em círculo a tia, de olhos fechados e com uma leve expressão de cansaço no rosto, comunica: Nossos irmãos do mundo espiritual também estão aqui presentes conosco nessa noite. E estão nos agradecendo pelo momento de reflexão. 

Após isso, soltaram as mãos e se cumprimentaram com abraço em um gesto de confraternização.
Neste mesmo momento, a duas quadras dali, um cachorro entra em desespero e começa a grunir alto como se sentisse uma enorme dor, e em um ato de angústia sai em disparada a correr pela rua desorientado, em várias direções, como se tentasse se livrar se algo. 

Os transeuntes observam assustados a cena, que àquela altura já havia tomado para si a atenção de todos. Pelo sentido oposto ao animal, um carro se desloca em velocidade moderada. E em um ato bizarro, o animal corre em direção ao veículo em alta velocidade e se lança no para-choque do carro, explodindo e espalhando suas vísceras por toda a rua, que imediatamente exala um cheiro fétido de decomposição. 

O motorista desce e olha em desespero a cena. Seu carro totalmente coberto de sangue. O que restou da cabeça do animal rola de cima do veículo e cai em seus pés. Sem poder conter a ânsia, vomita ali mesmo. Outros transeuntes também começam a vomitar. Um vento morno sopra levemente espalhando o cheiro rançoso e amonical pelas ruas vizinhas. No céu, uma lua doce brilhava leve e prateada. 


* Francisco Chagas é professor da rede pública, escritor e músico na banda Poesia Maldita


sábado, 19 de outubro de 2024

Dopadona - "Noite Louca" é blues/rock sob a ótica feminina


Lançado no sábado (19), "Noite Louca" é o primeiro registro oficial da banda amazonense Dopadona. A faixa, em pouco menos de três minutos, expõe uma paixão avassaladora e até mesmo agressiva, emoldurada por uma sonoridade blues/rock.


O que há de novo em falar de paixões em um blues? A resposta vem quando entram os vocais. Com letra de Thais Izel (vocalista e fundadora), "Noite Louca" é o amor bêbado sob a ótica e voz feminina, algo não tão comum no rock atual.

Musicalmente, "Noite Louca" passeia entre o blues e o rock de forma eficiente, sem tentar reinventar estes estilos. A produção da faixa deixa a audição clara, com instrumentos e vozes bem audíveis e distintos, e ainda assim mantendo a atmosfera esfumaçada de um pub bluesy.


Capa do single "Noite Louca" da Dopadona 


Aqui está "Noite Louca ". Acesse e ouça ALTO!

"Noite Louca" é o primeiro de cinco singles que farão parte do EP de estreia da Dopadona, a ser lançado em 2025 quando a banda comemora 10 anos de atividades. O plano é lançar quatro singles aínda em 2024 e um em 2025 fechando o EP.

"Noite Louca" foi produzida pela própria banda, com co-produção de Thiago Solimões no SinegMusic Produções.

Dopadona


Formada em 2015, hoje a Dopadona além de Thaís, conta com Thiago Solimões (baixista fundador), Juan Víctor (guitarrista),  Luiz Marques (guitarrista) e Lúcio Oliveira (baterista).

Com influências nítidas de Velhas Virgens, Secos & Molhados, Barão Vermelho e Ramones, a Dopadona acumula milhas em passagens por alguns festivais de rock  em Manaus, além de entrevistas para veículos independentes de comunicação e um bom fluxo nas redes sociais.

Os shows da Dopadona costumam ter em média 1h30m de palco. O repertório tem alguns poucos covers, mas a banda cresce mesmo é com seu repertório próprio de um rock' n roll enérgico e divertido.


Dopadona ao vivo (Foto: Facebook)


Carregado no blues rock, o set list da Dopadona já mostra as intenções da banda, como pode ser visto em títulos como "Algo de bom", "A todo vapor", "Noite Louca", "Sabor de gin", "Bafo de cachaça", "Sexta-feira", "Dilma vez só", "Alucinado", "Comer você", "Eu não consigo parar", "Toda vez que te encontro", "Dopadona ", "Corpos Entrelaçados " e "Prazer fácil ", todas assinadas por Thaís, Thiago e Luiz.

Contato Dopadona:

Thaís Izel (vocalista): 92 98433 8617
Instagram: @banda.dopadona
Facebook: Banda Dopadona

*por Artur Mamede 

AGENDA - Espelunca Rock Fest (19/10)


Ainda há tempo de garantir seu ingresso para o Espelunca Rock Fest, evento da Mandrake Produções, que depois de quatro anos volta a ocupar o local que foi referência para o rock/metal na zona Norte de Manaus.


Cartaz oficial do Espelunca Rock Fest 

A noite no Espelunca começa às 21h com a Metal Sporration executando um especial Massacration. Às 23h, o Iron Maiden é a banda homenageada pela Maiden's Empires. O festival encerra logo após o show da BedRock, iniciado à 01h de domingo. No repertório o hard rock de Skid Row, Mötley Crüe e outras.

No evento será sorteado um banner do Iron Maiden, item do acervo pessoal do Douglas Mandrake, criador do evento e da Mandrake Produções. 


SERVIÇO 


O que: Espelunca Rock Fest 
Onde: Espelunca Rock Bar (R. Gabriel Gomes da Silva, 19 - Col. Sto. Antônio)
Quando: Sábado (19/10), à partir das 21h
Quanto: R$ 20 (dinheiro e pix), R$ 21 (cartão débito e crédito )

Ingressos via Pix pelo 99111-5724 (Drica Lima).

Semana do Livro e da Biblioteca vai até quarta-feira (23)

A Semana do Livro e da Biblioteca, iniciada no último dia 16 se estende até a quarta-feira 23 de outubro. A programação, segundo a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas tem o objetivo de promover a importância da leitura, da literatura e das bibliotecas como espaços de conhecimento e cultura. 

Na edição de 2024 da Semana, a programação inclui a Biblioteca Pública do Amazonas, Biblioteca Genesino Braga, Centro de Convivência Magdalena Arce Daou, Biblioteca Thália Phedra Borges dos Santos e o Centro Cultural dos Povos da Amazônia. A iniciativa busca destacar e resgatar o valor desses ambientes literários para a formação social e intelectual da comunidade.

A ideia é mostrar desde o livro físico até o digital, abordar sobre formas de preservação, fazer homenagens a escritores, promover trocas de livros e compartilhar histórias.

Leia também: ENTREVISTA - Franklin Roosevelt (Enchente S/A, Fuzzy)


Programação


A programação teve início no dia 16, na Biblioteca Pública do Amazonas, que abriga até o dia 31 a mostra bibliográfica “Manaus: Patrimônio e Memória da Belle Époque”, em comemoração aos 344 anos da cidade de Manaus, em 24 de outubro. 

A mostra, que funciona das 9h às 15h, conta com acervos de livros e jornais da Biblioteca Pública do Amazonas, que retratam os prédios históricos que marcaram o desenvolvimento arquitetônico e cultural da cidade. A Biblioteca Pública fica rua Barroso, 57, Centro.




Entre quinta e sexta-feira (17 e 18), a Biblioteca Genesino Braga, no Centro Cultural Thiago de Mello, recebeu a Mostra Bibliográfica “Márcio Souza”, em homenagem ao renomado escritor e intelectual amazonense. Foram apresentados livros que marcaram a trajetória de Souza como romancista e cronista, enfatizando sua contribuição para a cultura e identidade amazônica.

Na sexta-feira (18), a programação se estendeu à Sala de Leitura do Centro de Convivência Magdalena Arce Daou, no Santo Antônio. O “Prosa com Sabor” proporcionou aos participantes a oportunidade de compartilhar suas impressões sobre obras literárias enquanto desfrutavam de uma experiência sensorial complementar, com lanches temáticos que enriqueceram o clima de descontração e criatividade.

Para este sábado (19), de 9h às 13h, a Biblioteca Pública abre as portas para uma visita especial, denominada “Bibliotour: conheça a Biblioteca”. Nesta atividade, a visitação se estende aos acervos e instalações e o público terá a oportunidade de conhecer a rica história do espaço, um dos mais importantes centros culturais e informacionais da região. Ainda na biblioteca, às 15h, acontece um “Bate-Papo de Quadrinhos”, com Evaldo Vasconcelos.


Fachada da Biblioteca Pública do Amazonas 


No domingo (20), de 9h às 13h, ocorre a 50° edição especial da “Troca de Livros e Gibis”, também na Biblioteca Pública. Esse projeto, que há anos tem incentivado a circulação de conhecimento, promovendo a troca de obras literárias entre leitores de todas as idades, alcança esse número significativo, reforçando seu papel fundamental na formação de leitores e na democratização do acesso à literatura.

Segunda e terça-feira (21 e 22), de 9h às 15h, a Biblioteca Thália Phedra Borges dos Santos, no Palácio Rio Branco, Sete de Setembro, s/nº, Praça D. Pedro II, será o cenário ideal para a exibição da Mostra Bibliográfica “Márcio Souza”. É uma homenagem ao renomado escritor e intelectual amazonense com suas obras de pesquisa e estudos sobre a Amazônia.

Quarta-feira (23/10), de 9h às 12h, o encerramento das atividades acontece no Centro Cultural dos Povos da Amazônia, avenida Silves, 2222, Distrito Industrial, no espaço “Memorial Samuel Benchimol” durante um Colóquio de Bibliotecas e Informação Digital. A ação científico-cultural busca promover debates sobre o cenário atual e as perspectivas dos profissionais da informação em relação à preservação documental digital do Amazonas.

*Edição: Artur Mamede com informações e fotos da SEC

ENTREVISTA - Franklin Roosevelt (Enchente S/A, Fuzzy)


Em visão geral, a criação de um coletivo de artistas tem como iniciativa a discussão de pautas comuns entre estes e a ocupação de espaços físicos e midiáticos, fazendo chegar ao público, de forma eficaz e assertiva, o produto criado pelos "coletivados". 


O formato é muitas vezes visto como "panelista" por abrigar bandas/artistas com afinidades nítidas. E foi buscando parcerias afins que Franklin Roosevelt, baixo/vocal da banda amazonense Fuzzy, criou em 2021 o coletivo Enchente S/A.

Na entrevista a seguir, a primeira do Beiral, o músico nem tenta explicar o formato. A ideia é defender o seu, explicar o Enchente S/A e aproveitar para ocupar o espaço com as novas de sua banda e parceiros.


A gente percebeu que estava fazendo os rolês juntos


Beiral: A  criação de coletivos costuma partir da observação de necessidades de uma classe/setor e da busca por soluções. Como se deu a criação do Enchente S/A?

Franklin Roosevelt: O Enchente S/A foi criado por mim em 2021. Nessa época eu já estava com meu projeto, a Fuzzy, e sempre desenvolvendo eventos underground para muitas bandas, mas também para que a Fuzzy tivesse onde tocar.

E duas bandas, Suffragium e Polybius, se aproximaram mais, querendo fazer parceria em eventos. Como o Guto (Augusto Nunes, baterista da Fuzzy) também tocava na ocasião com a Hooligans, e havia assumido as baquetas da Seaside, estas acabaram se integrando a turma. Isso sem contar com a Underflow, que é mais uma pra conta do Guto.

Bandas do coletivo no estúdio ADS 



Daí a gente percebeu que estava fazendo os rolês juntos e decidimos fortalecer isso, formando o Enchente S/A.  A partir daí, todas as nossas ações ficaram voltadas à fomentar e divulgar os eventos para que cada uma destas parceiras tocassem individualmente, e coletivamente.

Primeiras reuniões do Enchente S/A. Tempos pandêmicos



Beiral: E desse núcleo de cinco bandas, mais a Underflow que se reúne de forma remota, o coletivo tem hoje 14 nomes. O que essa turma tem feito?

Franklin Roosevelt: Sim começamos com estas cinco bandas. Depois de algum tempinho, fomos integrando outros parceiros e já realizamos eventos com todos do coletivo, como um ensaio aberto no estúdio ADS (grande parceiro) e um show no Basquiat.


Cartaz do ensaio aberto com as bandas do coletivo (Jan/2022)



Fizemos também parceria na produção de um show da Suffragium, que foi gravado e tal. Atualmente fazemos alguns eventos esporádicos, com algumas de "nossas" bandas em um evento, outras em outro. Mas a ideia principal é divulgar cada uma e o coletivo como um todo.


Coletivo e parceiros na produção de show da Polybius, no Tucandeira 



Beiral: Nessa busca por ocupar espaços, ter uma aproximação com a mídia é essencial. Mas percebo que há alguns casos que beiram a negligência. Desde que editava zines, depois na imprensa formal, e até em outro veículo independente que insisto em manter, encontro dificuldades de criar um bom conteúdo pois algumas bandas/artistas não tem o básico para se promoverem. O Enchente S/A tem alguma iniciativa para otimizar essa aproximação?

Franklin Roosevelt: Na verdade, eu mesmo estou fazendo um curso que vai na linha de elaboração de projetos, captação de recursos, organização financeira, e otimização de portfólio e redes sociais.
Falei para o pessoal que a gente podia dar um up nesse sentido. Inclusive surgiu a ideia de se gravar clipes, profissionalizar fotos, fazer melhor engajamento das redes. Mas ainda há resistência de alguns e às vezes outros interesses que emperram demais isso tudo.

E isso não é algo só nisso. Na mesma vibe estão outros estados e bandas autorais. Falta de querer se engajar. O público que não é conquistado, não valoriza, não consome.

No Baile dos Perdidos (no Basquiat)



Beiral: Falando em outros estados, outros públicos, o Enchente S/A tem intercâmbios nos planos?

Franklin Roosevelt: Particularmente tenho alguns contatos e interesse em fazer intercâmbios. Como é o caso de Boa Vista (RR), e também Itacoatiara (AM). Inclusive lá estão voltando com o grande evento ItaRock que movimenta bem a cidade. Apesar de nunca ter ido, quero muito fazer essa ponte. Eu tinha feito alguns contatos com Santarém e Belém (PA). De repente posso tentar desenrolar isso. 

Alguma coisa vou tentar com o Enchente S/A. Já fazemos de alguma forma um intercâmbio com Boa Vista, mas tenho muito mais pretensões com a Fuzzy. Ela é meu interesse maior. Talvez mais uma ou outra do coletivo que estiverem mais engajadas.

Beiral: Já organizado e visto como uma força no ecossistema da música alternativa amazonense, o que o coletivo pretende agora?

Franklin Roosevelt: Tem um projeto, que leva o nome do coletivo, que foi submetido aí pra ver se somos contemplados. Fora isso vamos tentar encaminhar outro para realizar um show de grande porte em 2025. É apostar na sorte e na curadoria para tal.

Para a Fuzzy, o plano é finalizar o EP que já está em produção. E tentar uma mini turnê, que está sendo minuciosamente estudada.


Franklin Roosevelt, Guto Nunes e Gustavo Kawati. A Fuzzy 



Beiral: Falamos lá no início sobre afinidades e sabemos que isso dá a liga necessária para o bom funcionamento de um coletivo. Há possibilidade de o Enchente S/A abrir para outros estilos? O que se espera de quem possa vir a procurar o coletivo?

Franklin Roosevelt: O ponto principal é ser rock, ser autoral. Não tenho objeção quanto a gêneros, mas historicamente já tem alguns nichos que eles mesmos se "arrumam", se "organizam", e vão sobrevivendo. Acho que as bandas que estão no coletivo já têm um certo trabalho. Até pensaria na ideia de abranger outros estilos, mas acho que não teria tempo, talvez nem saco.

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Para contatar o coletivo Enchente S/A procure o Franklin em 92 98130 6080 (Whatsapp), no Instagram @enchentesa ou pelo e-mail coletivoenchente@gmail.com





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  O pai veio do Nordeste, a mãe do interior, rio Juruá. O menino nasceu dentre outros tantos do ventre daquela mulher parideira. Naquela do ...