quinta-feira, 31 de outubro de 2024
Contos e Crônicas Antonellianas - Steffanny (parte 2)
Noite das bruxas da Platinados tem Doces, Drives, Drinks & Travessuras
A já icônica banda do rock cabocão amazonense Platinados promove nesta sexta-feira (01/11) mais uma edição da festa "Doces, Drives, Drinks e Travessuras". A celebração trevosa acontece n'O Condado Pub e tem no cast musical, além da Platinados (e convidados), Duobuchada, Chora Cachorro e Infâmia.
Completam o line up da noite das bruxas atrações diversas que incluem leitura de tarot, flash tattoo, maquiagem temática e chair dance. O tema invade a casa que recebe em seus ambientes ilustrações macabras no estilo pulp, concurso de fantasias e atores incorporando personagens do Halloween e da cultura do terror.
A noite também terá drinks temáticos cada um com um toque de mistério e magia, e as bebidas tradicionais do pub.
Leia também: Cine Set promove nova oficina gratuita de crítica de cinema
A volta dos muito vivos
"A festa volta ao Condado, que recebeu a primeira edição em 2021. O nome pegamos emprestado de um evento que promovemos em 2018, o 'Psicodelia, Graves, Drives e Drinks', que teve outras uas bandas, O Tronxo e Macama, além da Platinados ", explica.
"Agora o evento está de volta com uma programação diferenciada, com intervenções durante todo o evento e na parte musical o acústico do Duobuchada resgatando hits gringos e brasileiros, o rock brega da Chora Cachorro e o peso da Infâmia" comentou Clóvis.
Já o set da Platinados vai contar com sons conhecidos (e nada manjadões) e a participação de músicos afins com a banda reverberando a atmosfera boemia do rock cabocão.
"Nosso set passa por várias fases da Platinados e nessa viagem contamos com Carlos 'Lare' Castilho, da DPeids, Magaiver Santos, do Casa de Caba, e May Satier, com quem divido vocais n'A Sombra de Monalisa, tocando o terror", finaliza o músico.
Intervenções da noite
Encontros Místicos: Leituras de tarot realizadas por Thai Oliveira.
Lembranças Macabras: Flash tattoos feitas por NatannaHell.
Exposição Assombrosa: Exposição de ilustrações no estilo pulp de Anderson Green Devil, da Green Devil Artwork.
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| Pulp art da Green Devil Artwork |
Concurso Infernal de Fantasia: Concurso de fantasias, onde as melhores criações serão premiadas com brindes infernais.
Performance Ardente: Paula Aguiar apresenta uma performance que trará todo o encanto e sedução do Chair Dance em uma apresentação hipnotizante de movimentos sensuais com um toque macabro.
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| Paula Aguiar apavorando no Chair Dance |
Transformação Sobrenatural: A maquiadora Evelyn Tenazor estará presente para te ajudar com maquiagens realistas e assustadoras.
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| A maquiadora Evelyn Tenazor está no cast do evento |
Terror Imersivo: Mergulhe em um ambiente de terror com experiências imersivas. Atores vestidos como monstros vão transformar o ambiente em um verdadeiro espetáculo de horror.
SERVIÇO
O que: Doces, Drives, Drinks e Travessuras (com Platinados e convidados, mais Duobuchada, Chora Cachorro e Infâmia. Intervenções com tema de Halloween durante todo o evento)
Quando: Sexta-feira (01/11), a partir das 19h
Onde: O Condado Pub (av. Des. João Machado, 6705 - Alvorada)
Quanto: R$ 25 (ingresso simples) e R$ 40 (combo dois ingressos). Vendas pelo Sympla.
*por Artur Mamede
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quarta-feira, 30 de outubro de 2024
CONTO DA SEMANA: À espera
Após o desaparecimento do filho nunca mais foi a mesma. Ficou distante. Havia perdido recentemente seu marido. Companheiro de 40 anos de vida. Já era uma senhora. Caminhava para os 70 anos. A solidão e a saudade pesaram nos ombros já cansados de uma vida de tantos sacrifícios. Não precisava mais passar por aquilo não. Já estava no fim de sua jornada. Queria apenas esquecer de tudo. Era o que sempre repetia. Alguns dizem que de uma forma ou outra, acabou conseguindo. Benção ou castigo? Ninguém sabe.
Era um sábado, manhã de janeiro. Primeira semana do ano. Acordava cedo. Mania de idoso. Ligava o rádio, preparava o café, aguava suas plantas e voltava para a mesa. Às 06:30 seu filho acordava. Trabalhava num comércio no centro, próximo ao Mercado Municipal. Era seu único companheiro após a morte do seu marido. Momento difícil pra ela. Mas tinha o seu filho, que lhe ajudou a passar esse momento. Era um bom homem, 30 anos, trabalhador. Nuca lhe deu trabalho, pelo contrário. Era esforçado, sempre tentou ser alguém. Ajudava na casa e nas despesas. Assumiu o papel de provedor depois da morte do pai. Atento as demandas, cuidava dela e do que fosse necessário pra dar-lhe o mínimo de conforto. Era o mínimo, falava sempre a ela.
Só era meio calado. Ah, isso ele era. Estava sempre pensativo e calado pela casa lendo coisas que trazia da rua ou com os fones de ouvido. Gostava de música. As vezes até escrevia canções. Pela manhã ouviam juntos as músicas que tocavam no rádio durante o café. Gosto dessa música, ele comentava vez ou outra. Sorriam. Falavam sobre coisas do dia a dia e sobre os compromissos da semana. Ele andava bebendo muito a uns meses, fato que a preocupava. Mas de um tempo pra cá não estava mais muito a fim, foi o que disse a ela. Estava limpo. E ela feliz com sua decisão.
Ela percebia que ele estava triste a algumas semanas. Mas sempre quando o perguntava sobre o que lhe preocupava ele respondia que estava tudo bem, era apenas o cansaço do dia a dia. Ela o respeitava e fingia acreditar, mas no fundo sabia que algo não estava certo. Mães sempre sabem.
Nesse dia, se despediu e saiu rumo ao centro da cidade pra ganhar a vida. Sábado saía do trabalho mais cedo. Largava o serviço as 13h. Almoço em casa hoje, ele disse. Se despediu dando um beijo na testa da mãe. Vai com Deus meu filho. Até depois. Até, respondeu sorrindo. Naquela tarde uma chuva violenta castigou a cidade. Fortes ventos e muita água desabou sobre todos. Caos no trânsito, viu pela Tv. Bem na hora que meu filho sai do trabalho, poxa. Lamentou. As horas passaram e a chuva também. Aguardou ansiosa a chegada do filho após o tempo se abrir novamente. Deve ter ido fazer alguma coisa, pensou.
As horas seguiram e nada, resolveu mandar uma mensagem, não foi respondida. Foi ficando preocupada. A noite chegou e nenhuma notícia. Já estava desesperada. Chamou as irmãs que moravam na mesma rua, em casas vizinhas. Todos tensos tentando contato. Sem sucesso. Desespero total. Os primos tentaram acalmar as tias que a essa altura já estavam em estado extremo de angústia. Informaram a polícia. Registro feito. Procuram nos hospitais da cidade e em todos os possíveis locais que frequentava. Nada. Não havia mais ninguém a quem recorrer. Ninguém para ligar. Ele não tinha muitos amigos. Andava sempre sozinho. 24h depois foi declarado oficialmente desaparecido pela polícia.
Os dias passaram e nenhuma resposta ou notícia. Ninguém o havia visto ou falado com ele. A última pessoa que o viu foi o chefe quando saiu da loja. Depois de uma semana sem dormir, a esperança do filho reaparecer foi se dissolvendo dentro do coração materno. E junto com ela, a sua vida. Havia perdido o marido e agora o filho. Não tinha mais ninguém. As irmãs a faziam companhia, até a levaram para morar junto delas para que não ficasse sozinha nesse momento. Não adiantaram os esforços. Com o passar dos dias ela foi definhando diante dos olhos de todos.
Cada dia falava menos. Interagia menos. Não importavam as tentativas. Não havia retorno. Decidiram que não se tocaria mais no assunto na casa. Todos de acordo. Aos poucos foi emagrecendo. Não comia direito. Dizia não sentir fome. Passava a maior parte do dia calada sentada numa cadeira de balanço que havia na varanda olhando para o fim da rua. Estava a esperar a chegada do filho. Falava isso como quem pensa alto. Quando chovia ela saia pela rua andando a sua procura. Ele está vindo. Estou indo encontrá-lo, dizia para as irmãs que a traziam de volta para casa encharcada. Todos da rua já ficavam atentos aos episódios, que acabaram por se tornar corriqueiros. Sentiam pena. Era uma pessoa querida na rua. Sentiam-se mal em vê-la assim.
Com o passar do tempo começou a esquecer os nomes e a dizer coisas sem sentido. Àquela altura já havia perdido a consciência. Não sabia mais seu próprio nome ou de suas irmãs. Tinha pequenos surtos e começava a repetir por diversas vezes a frase “daqui a pouco ele vai chegar, daqui a pouco ele vai chegar” olhando e apontando pro relógio da parede. Numa dessas andanças pela chuva, fugida de suas irmãs e longe dos olhos dos vizinhos, acabou adquirido pneumonia. Seu corpo já debilitado não teve condições de reagir.
Em seu leito de morte perguntou a sua irmã pela última vez as horas e pediu para que ela avisasse ao seu filho, quando chegasse, que a sua janta estava sobre o fogão. Faleceu. Sem respostas e sem saber mais quem era. Em seu enterro uma leve chuva caiu sobre os que homenageavam a sua partida. “É ele vindo se despedir”, disse uma das irmãs olhando para o céu enquanto o coveiro jogava sobre o caixão uma pesada pá de barro molhado.
*Francisco Chagas é professor da rede pública, escritor e músico na banda Poesia Maldita
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Cine Set promove nova oficina gratuita de crítica de cinema
O Cine Set! realiza na próxima sexta-feira (01/11) e sábado (02) uma nova edição gratuita da Oficina de Teoria e Prática da Crítica de Cinema. As inscrições já estão abertas para os encontros que acontecerão no Conselho de Desenvolvimento Comunitário do Coroado (CDCC), zona Leste de Manaus.
A oficina tem curta duração (seis horas no total, divididas igualmente entre os dois dias) onde Ivanildo Pereira, o facilitador da atividade, irá passar aos inscritos os conceitos principais da crítica de cinema, dando a estes, ainda, a possibilidade exercitar a escrita em uma atividade prática.
Leia também: Márcia Antonelli autografa "Rasgada ao Meio" no Sereia Mística
A Oficina de Teoria e Prática da Crítica de Cinema é uma contrapartida do projeto "Cine Set - 10 Anos", projeto contemplado no edital Concurso Prêmio Manaus Identidade Cultural no setor do Audiovisual, realizado pelo Conselho Municipal de Cultura de Manaus (Concultura), com recursos da Lei Paulo Gustavo.
Amazonense na Abraccine
Ivanildo Pereira, o facilitador da oficina é crítico do Cine Set e integrante da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine). Pereira também assina uma "coluna" com dicas de filmes na Rede Onda Digital.
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| Ivanildo Pereira, será o facilitador da oficina |
SERVIÇO
O que: Oficina de Teoria e Prática da Crítica de Cinema
Onde: Conselho de Desenvolvimento Comunitário do Coroado - CDCC (Rua Ouro Preto, 513 - Coroado)
Quando: Sexta-feira (01/11, das 18h às 21h) e sábado (02/11, das 14h às 17h)
Quanto: Acesso e inscrições gratuitos no www.cineset.com.br
*por Artur Mamede com informações do Cine Set
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terça-feira, 29 de outubro de 2024
Márcia Antonelli autografa "Rasgada ao Meio" no Sereia Mística
"Rasgada ao Meio", livro da transcritora amazonense Márcia Antonelli, ganha nesta sexta-feira (01/11) uma noite de autógrafos para celebrar o recém lançamento da obra. O evento acontece no Espaço Cultural Sereia Mística e conta ainda com o pocket show "Desconcerto" de Amaru Natividade.
Ainda com o cheiro da gráfica, "Rasgada ao Meio" já tem propostas de tradução para ser estudada nos departamentos de Línguas Estrangeiras do curso de Letras em universidades da Itália e Espanha.
Leia também: Contos e Crônicas Antonellianas - Steffanny (parte 1)
Leia também: A Sombra de Monalisa relê "Belle Époque Noise"
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| A transcritora Márcia Antonelli e "Rasgada ao Meio" (foto: Facebook/M. Antonelli) |
O que esperar de Rasgada ao Meio
De acordo com Márcia Antonelli, "Rasgada ao Meio" é uma coletânea de contos, subdivididos em subgêneros. "O livro inicia com o subgênero memória, seguido por crime, erótico, fantástico, crônica e desilusões do amor, impressos em minicontos, microcontos e nanocontos", conta a autora.
"'Rasgada ao Meio' passeia por vários segmentos e meandros da literatura. O que se pode esperar é um deleite que cada uma dessas histórias, muitas delas ambientadas na Cidade de Manaus, oferecerá ao leitor", disse Márcia.
Quem é Márcia Antonelli?
Parida em Manaus, Márcia Antonelli é transcritora com sete livros publicados e a impressionante marca de mais de 70 livretos publicados e lançados de forma independente.
Duas de suas obras ("O Fungo" e "Desentupidor de Fossas") foram traduzidos para o espanhol e circulam em periódicos na Europa.
Márcia também tem obras suas adaptadas para outras expressões e linguagens. "Zico, o Jabuti" e "Desentupidor de Fossas" ganharam adaptações para o cinema e o teatro, respectivamente. O "Rasgada ao Meio", seu mais recente livro, já está sendo estudado nas universidades da Itália e Espanha (curso de Letras, Linguas Estrangeiras).
SERVIÇO
O que: Noite de autógrafos do livro "Rasgada ao Meio", da transcritora Márcia Antonelli. Pocket show "Desconcerto" com Amaru Natividade
Quando: Sexta-feira (01/11), a partir das 19h
Onde: Espaço Cultural Sereia Mística (Rua Luiz Antony, 397. Aparecida)
Quanto: Acesso gratuito. O livro "Rasgada ao Meio" estará a venda no local
*por Artur Mamede
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quinta-feira, 24 de outubro de 2024
A Sombra de Monalisa relê "Belle Époque Noise"
Lançada originalmente em 2003 no EP de mesmo nome, "Belle Époque Noise", da Platinados, ganhou nesta quinta-feira (24) uma releitura da banda A Sombra de Monalisa. A faixa que há mais de 20 anos já anunciava uma renovação no rock básico da Platinados tem agora uma roupa nova, quase cyberpunk.
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| As vozes d'A Sombra de Monalisa |
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| Capa do single digital "Belle Époque Noise", por Rafael Queiroz |
Próximas aparições d'A Sombra de Monalisa
A Sombra de Monalisa
Manaus 355 anos, o caminhar de uma cidade no ontem e no hoje
Manaus, como qualquer outra cidade, é uma cidade em pedaços, fragmentada no espaço pelo tempo. A cidade que possuímos hoje é fruto da ação dos sujeitos que, no passado, fizeram dela um espaço de vida. Enquanto obra e produto, Manaus é resultado tanto do nosso passado quanto do nosso presente. Ao caminharmos pela Manaus de hoje, percebemos a presença do ontem. Mas esse ontem não é apenas a Manaus dos seus tempos históricos; é também a Manaus que continuamos a produzir dia após dia.
Na Manaus de hoje, assim como na de ontem, muitos são os problemas e poucas as soluções que vivemos. Estamos rodeados de incertezas — e até essas incertezas são incertas. Entre aventureiros e múmias, seus governantes e administradores jogam com a sorte para decidir quem irá banhar-se dos privilégios dos cargos públicos. Estamos à mercê da cidade que esses usurpadores estão a produzir. Sem muitas alternativas políticas para os subalternos e sujeitados, a tragédia — a cidade em chamas — dita os passos que seguiremos no amanhã.
Produzimos uma cidade indiferente ao caos da saúde pública, conformada com a máquina da morte construída pela corrupção do Estado amazonense. Aceitamos uma cidade amedrontada pelo assalto das facções criminosas, que fazem desse espaço um campo de disputas — muitas vezes em conluio com as próprias autoridades. Iludimo-nos com uma educação chamada política, mas que pouco educa, pois está refém dos crimes cometidos tanto pelo Estado quanto por aqueles que dela não fazem caso. Caminhamos por uma cidade deformada, sem políticas públicas eficazes para a melhoria do saneamento básico e das suas estruturas urbanas, as quais deveriam assegurar o direito de viver dignamente na cidade. Somos a cidade das cinzas, que agoniza em suas contradições, assim como a floresta em suas queimadas.
No ontem e no hoje, Manaus se reproduz sob as mesmas problemáticas. Mascarar tais problemas com as bondades que a cidade oferece chega a ser desonesto, pois vivemos cotidianamente sob as mazelas que nós mesmos estamos a produzir e reproduzir. Somos reféns dos nossos fantasmas, assim como dos fantasmas dos outros.
Caminho pela cidade aos passos da minha própria história. A cidade, mais do que uma expressão concreta, é o conflito das existências cotidianas. Manaus, como qualquer outra cidade, um lugar de muitos, é rica em suas contradições — e não poderia ser diferente: cada rua, cada esquina, carrega consigo o peso e a leveza das nossas experiências e vivências. O urbano é onde somos e buscamos ser, nosso melhor e nosso pior.
A cidade é uma obra coletiva, produzida pelo tempo, pelas mãos e pelos sonhos daqueles que nela vivem. Seus espaços são produtos de tempos sobrepostos, vestígios dos processos que moldam, cotidianamente, o modo de viver. Por isso, a cidade é mais que um palco da sociedade; é a concretização de escolhas e ausências, de avanços e retrocessos. Ela reflete tanto o passado que nos construiu quanto o futuro que insistimos em adiar.
Manaus é esse espaço de encontros e desencontros. Aqui, a modernidade se impõe sobre a floresta, e o capital avança sobre memórias, apagando retratos do que fomos. Ainda assim, em cada praça mal cuidada e em cada viaduto lotado guardam-se fragmentos de um viver coletivo, onde a cidade é simultaneamente sonho e realidade, promessa e frustração. Caminhar por suas ruas é buscar sentido, mesmo que esse sentido seja sempre um empréstimo do passado e, assim como o nosso futuro, esteja condenado ao esquecimento no tempo e nas práticas que produzem a cidade em fragmentos.
Aos 355 anos de Manaus, resta-nos apenas parabenizar e seguir incertos sobre as incertezas dos caminhos que estamos a trilhar.
*Fernando Monteiro é geógrafo e músico na banda Burying Existence
Foto: Antonio Raulino
Contos e Crônicas Antonellianas - Steffanny (parte 1)
A senhora se ligue. Vou lhe contar sobre Steffanny. Steffanny de Mônaco. Era como gostava de ser chamada: Steffanny de Mônaco. Seu nome de guerra. Só que com mais glamour. Muito mais elegante que a de Mônaco. Elegante mesmo. Sabia se colocar nas pistas. 1.70 de altura. Trabalhada nos saltos e com um lipstick terroso ou rosa choque nos lábios, tudo muito discreto e elegante igual as roupas e calçados que usava combinando, ficava um escândalo. Glamour-Glamour. Destacava-se entre as outras travestis onde quer que chegasse ou estivesse. Seus olhos eram castanhos claros, cabelos longos, naturais, sempre fina e elegante em seu tailleur de tons pastéis, salmão, ou então bege mesmo, da cor da pele. Não abria mão nunca de sua bolsinha à tiracolo pesadinha, cheinha de pedras, estilete ou então um canivete. Suas armas de guerra. Mas, uma lady. Estou lhe dizendo. Até quando se colocava na pista pelas esquinas das ruas, altiva à cata de clientes, era como uma flor mais bela esperando as abelhas pousarem, também as borboletas, as mariposas, os inúmeros insetos da noite que, atraídos por ela, vinham beber de seu néctar. Ela sabia de seu magnetismo. Sabia sim. Uma lady, minha senhora, uma lady. Até o jeito de falar, a postura ereta, o andar. Eu olhava para Steffanny e via uma aeromoça, uma secretária executiva, uma senhora dona de empresa, algo do tipo, mas nunca, nunca, uma travesti qualquer. Razô-Razô. Um vez ela disse: “Sou Steffanny só a noite, durante o dia, sou Diego, mas não gosto de quem eu sou pela manhã.” É que Steffanny tinha uma vida chata pela manhã. Chata mesmo. Cuidava do pai cadeirante que condenava seu travestismo. A mãe fazia vista grossa. Pior mesmo era quando o irmão mais velho morava com eles. Chamava-se Antônio e ele batia muito em Steffanny. A espancava que era pra ela parar de desmunhecar tanto e andar sem rebolar pela casa: “Viadinho aqui não se cria não, porra!” Dizia ele. Tinha pavor desse irmão quando ele chegava bêbado em casa e descarregava sua raiva nela. Ela apanhava em casa e na rua também. Tinha que aprender a ser um machinho. Afinal, tinha um pinto entre as pernas e não uma racha, caralho. Apanhou desse irmão até os quinze. Depois, para o seu alívio, Antônio deixou a casa e não deu mais as caras. Caiu no mundo e no álcool. Mas ficaram as marcas. Sempre ficam as marcas: o acúmulo dos murros na boca, no queixo, os tapões, pescoções, safanões. E a imagem do anel de metal que ele usava no dedo médio com o desenho de uma cruz de braços iguais, dobrados em ângulo reto, parecendo uma roda ou um quatro em egípcio. A insígnia da suástica. Mas como ela ia adivinhar? E aquilo machucava muito a cada soco. Fazia estragos, minha senhora, fazia estragos. Os olhos dele que eram claros e lindos como os dela, mas perversos quando ele a encarava enquanto a espancava, ela também não esqueceria nunca mais. Como é que esquece, não é? A vida dá voltas. Pegue a visão, minha senhora, a vida dá voltas. É o que chamamos de, “o retorno do anzol.” Mas isso é bem lá pra frente. Se ligue.
*por Márcia Antonelli, transcritora
quarta-feira, 23 de outubro de 2024
CONTO DA SEMANA: Obsessor
“...e os espíritos imundos saíram do homem e entraram nos porcos. A manada de cerca de dois mil porcos atirou-se precipício abaixo, em direção ao mar, e nele se afogou.”
Marcos 5:13
sábado, 19 de outubro de 2024
Dopadona - "Noite Louca" é blues/rock sob a ótica feminina
Lançado no sábado (19), "Noite Louca" é o primeiro registro oficial da banda amazonense Dopadona. A faixa, em pouco menos de três minutos, expõe uma paixão avassaladora e até mesmo agressiva, emoldurada por uma sonoridade blues/rock.
O que há de novo em falar de paixões em um blues? A resposta vem quando entram os vocais. Com letra de Thais Izel (vocalista e fundadora), "Noite Louca" é o amor bêbado sob a ótica e voz feminina, algo não tão comum no rock atual.
Musicalmente, "Noite Louca" passeia entre o blues e o rock de forma eficiente, sem tentar reinventar estes estilos. A produção da faixa deixa a audição clara, com instrumentos e vozes bem audíveis e distintos, e ainda assim mantendo a atmosfera esfumaçada de um pub bluesy.
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| Capa do single "Noite Louca" da Dopadona |
"Noite Louca" é o primeiro de cinco singles que farão parte do EP de estreia da Dopadona, a ser lançado em 2025 quando a banda comemora 10 anos de atividades. O plano é lançar quatro singles aínda em 2024 e um em 2025 fechando o EP.
"Noite Louca" foi produzida pela própria banda, com co-produção de Thiago Solimões no SinegMusic Produções.
Dopadona
Formada em 2015, hoje a Dopadona além de Thaís, conta com Thiago Solimões (baixista fundador), Juan Víctor (guitarrista), Luiz Marques (guitarrista) e Lúcio Oliveira (baterista).
Com influências nítidas de Velhas Virgens, Secos & Molhados, Barão Vermelho e Ramones, a Dopadona acumula milhas em passagens por alguns festivais de rock em Manaus, além de entrevistas para veículos independentes de comunicação e um bom fluxo nas redes sociais.
Os shows da Dopadona costumam ter em média 1h30m de palco. O repertório tem alguns poucos covers, mas a banda cresce mesmo é com seu repertório próprio de um rock' n roll enérgico e divertido.
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| Dopadona ao vivo (Foto: Facebook) |
Carregado no blues rock, o set list da Dopadona já mostra as intenções da banda, como pode ser visto em títulos como "Algo de bom", "A todo vapor", "Noite Louca", "Sabor de gin", "Bafo de cachaça", "Sexta-feira", "Dilma vez só", "Alucinado", "Comer você", "Eu não consigo parar", "Toda vez que te encontro", "Dopadona ", "Corpos Entrelaçados " e "Prazer fácil ", todas assinadas por Thaís, Thiago e Luiz.
Contato Dopadona:
Thaís Izel (vocalista): 92 98433 8617
Instagram: @banda.dopadona
Facebook: Banda Dopadona
AGENDA - Espelunca Rock Fest (19/10)
Ainda há tempo de garantir seu ingresso para o Espelunca Rock Fest, evento da Mandrake Produções, que depois de quatro anos volta a ocupar o local que foi referência para o rock/metal na zona Norte de Manaus.
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| Cartaz oficial do Espelunca Rock Fest |
SERVIÇO
Semana do Livro e da Biblioteca vai até quarta-feira (23)
A Semana do Livro e da Biblioteca, iniciada no último dia 16 se estende até a quarta-feira 23 de outubro. A programação, segundo a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas tem o objetivo de promover a importância da leitura, da literatura e das bibliotecas como espaços de conhecimento e cultura.
Na edição de 2024 da Semana, a programação inclui a Biblioteca Pública do Amazonas, Biblioteca Genesino Braga, Centro de Convivência Magdalena Arce Daou, Biblioteca Thália Phedra Borges dos Santos e o Centro Cultural dos Povos da Amazônia. A iniciativa busca destacar e resgatar o valor desses ambientes literários para a formação social e intelectual da comunidade.
A ideia é mostrar desde o livro físico até o digital, abordar sobre formas de preservação, fazer homenagens a escritores, promover trocas de livros e compartilhar histórias.
Leia também: ENTREVISTA - Franklin Roosevelt (Enchente S/A, Fuzzy)
Programação
A programação teve início no dia 16, na Biblioteca Pública do Amazonas, que abriga até o dia 31 a mostra bibliográfica “Manaus: Patrimônio e Memória da Belle Époque”, em comemoração aos 344 anos da cidade de Manaus, em 24 de outubro.
A mostra, que funciona das 9h às 15h, conta com acervos de livros e jornais da Biblioteca Pública do Amazonas, que retratam os prédios históricos que marcaram o desenvolvimento arquitetônico e cultural da cidade. A Biblioteca Pública fica rua Barroso, 57, Centro.
Entre quinta e sexta-feira (17 e 18), a Biblioteca Genesino Braga, no Centro Cultural Thiago de Mello, recebeu a Mostra Bibliográfica “Márcio Souza”, em homenagem ao renomado escritor e intelectual amazonense. Foram apresentados livros que marcaram a trajetória de Souza como romancista e cronista, enfatizando sua contribuição para a cultura e identidade amazônica.
Na sexta-feira (18), a programação se estendeu à Sala de Leitura do Centro de Convivência Magdalena Arce Daou, no Santo Antônio. O “Prosa com Sabor” proporcionou aos participantes a oportunidade de compartilhar suas impressões sobre obras literárias enquanto desfrutavam de uma experiência sensorial complementar, com lanches temáticos que enriqueceram o clima de descontração e criatividade.
Para este sábado (19), de 9h às 13h, a Biblioteca Pública abre as portas para uma visita especial, denominada “Bibliotour: conheça a Biblioteca”. Nesta atividade, a visitação se estende aos acervos e instalações e o público terá a oportunidade de conhecer a rica história do espaço, um dos mais importantes centros culturais e informacionais da região. Ainda na biblioteca, às 15h, acontece um “Bate-Papo de Quadrinhos”, com Evaldo Vasconcelos.
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| Fachada da Biblioteca Pública do Amazonas |
No domingo (20), de 9h às 13h, ocorre a 50° edição especial da “Troca de Livros e Gibis”, também na Biblioteca Pública. Esse projeto, que há anos tem incentivado a circulação de conhecimento, promovendo a troca de obras literárias entre leitores de todas as idades, alcança esse número significativo, reforçando seu papel fundamental na formação de leitores e na democratização do acesso à literatura.
Segunda e terça-feira (21 e 22), de 9h às 15h, a Biblioteca Thália Phedra Borges dos Santos, no Palácio Rio Branco, Sete de Setembro, s/nº, Praça D. Pedro II, será o cenário ideal para a exibição da Mostra Bibliográfica “Márcio Souza”. É uma homenagem ao renomado escritor e intelectual amazonense com suas obras de pesquisa e estudos sobre a Amazônia.
Quarta-feira (23/10), de 9h às 12h, o encerramento das atividades acontece no Centro Cultural dos Povos da Amazônia, avenida Silves, 2222, Distrito Industrial, no espaço “Memorial Samuel Benchimol” durante um Colóquio de Bibliotecas e Informação Digital. A ação científico-cultural busca promover debates sobre o cenário atual e as perspectivas dos profissionais da informação em relação à preservação documental digital do Amazonas.
*Edição: Artur Mamede com informações e fotos da SEC
ENTREVISTA - Franklin Roosevelt (Enchente S/A, Fuzzy)
Em visão geral, a criação de um coletivo de artistas tem como iniciativa a discussão de pautas comuns entre estes e a ocupação de espaços físicos e midiáticos, fazendo chegar ao público, de forma eficaz e assertiva, o produto criado pelos "coletivados".
A gente percebeu que estava fazendo os rolês juntos
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| Bandas do coletivo no estúdio ADS |
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| Primeiras reuniões do Enchente S/A. Tempos pandêmicos |
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| Cartaz do ensaio aberto com as bandas do coletivo (Jan/2022) |
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| Coletivo e parceiros na produção de show da Polybius, no Tucandeira |
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| No Baile dos Perdidos (no Basquiat) |
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| Franklin Roosevelt, Guto Nunes e Gustavo Kawati. A Fuzzy |
Charles
O pai veio do Nordeste, a mãe do interior, rio Juruá. O menino nasceu dentre outros tantos do ventre daquela mulher parideira. Naquela do ...
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“...e os espíritos imundos saíram do homem e entraram nos porcos. A manada de cerca de dois mil porcos atirou-se precipício abaixo, em direç...
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