Dalton Trevisan e Anthon Tchecov foram os escritores que me encorajaram a mergulhar no universo dos microcontos. Mas rendo hoje aqui minhas homenagens à Dalton Trevisan, conhecido como O Vampiro de Curitiba e que nos deixou. Aliás, Dalton tem uma obra de contos com este título: “O Vampiro de Curitiba que já recomendo.
A obra de Dalton Trevisan é impecável: brutalidade e miséria. Crueza da vida e do mundo. Eis a tônica inconfundível deste que é considerado merecidamente um dos melhores contistas do Brasil. Mestre da escrita minimal-animal. Com uma narrativa direta, enxuta, cheia de flashes do cotidiano, Dalton nos cativa e nos apaixona. Pois que apropria-se de uma linguagem coloquial chegando a beirar o chulo mas nunca beirando, porque ainda sim, sua escrita é fina, elegante, fantástica. Foi um mestre, sem dúvida. Singular. Dono de uma dicção plena e única sem arredar um milímetro que seja de suas convicções literárias. Portanto , não é fácil classificá-lo ou estuda-lo. Basta lê-lo. Viajar nas suas histórias e em suas crendices curitibanas que nos revelam com lirismo, precisão estilística e concisa, o humanamente humano dos espectros da crueza da vida e do mundo que nos cercam.
“A fumaça da chuva sobe pelas chaminés das casas e se espalha sobre a cidade. Um fio de silêncio cai de gota a gota da chuva. As gatas dengosas se viram de costas para dormir. Chuva, chuvinha, um lado da palmeira nunca se molha.
O Vampiro de Curitiba recolhe então suas asas na noite que se estende fria e sem respostas...”
![]() |
| Foto rara de Dalton Trevisan que não gostava de aparições |
*Márcia Antonelli é transcritora
Manaus, 10.12.2024



Sem comentários:
Enviar um comentário